O que defendemos para o futuro do Hospital Nélio Mendonça

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O JPP promoveu, este sábado, o encontro “Hospital, que futuro?”, que reuniu especialistas de várias áreas para debater o destino do Hospital Nélio Mendonça (HNM). O SINDEPOR foi convidado para esta iniciativa e, na impossibilidade de estarmos presentes, enviámos um texto sobre o que defendemos para o HNM.

O SINDEPOR agradece o convite que nos foi dirigido para participar neste debate sobre o futuro do HNM. A nossa opinião sobre esta discussão tem um único propósito: defender o interesse público em saúde, a qualidade dos cuidados prestados à população e condições de trabalho dignas para os profissionais de enfermagem.

A construção do novo Hospital Central e Universitário da Madeira representa uma oportunidade histórica para reconfigurar a rede de cuidados na Região. Entendemos que a futura e eventual utilização do HNM deverá fazer parte de um pacto articulado entre as várias forças políticas chamando também as forças associativas e cívicas no sentido do HNM manter a sua forte vocação de serviço público em saúde, seja como unidade de cuidados continuados, centro de longevidade, resposta estruturada para altas problemáticas, reabilitação, saúde mental ou mesmo como hospital secundário de apoio à atividade do novo hospital.

Hoje, todos sabemos que uma parte significativa das camas hospitalares é ocupada por doentes crónicos, idosos frágeis e situações sociais complexas – as chamadas altas problemáticas -, para as quais a resposta atual é manifestamente insuficiente. Se o HNM vier a ser reconvertido em unidade vocacionada para estes doentes – em articulação com cuidados continuados e com respostas sociais – poderemos libertar capacidade no novo hospital para os casos agudos e cirúrgicos, reduzindo tempos de espera e melhorando a segurança dos cuidados.

Sabemos que existe um redimensionamento do novo hospital, projetado para uma diminuição efetiva da população madeirense, mas não podemos esquecer o acréscimo populacional decorrente dos novos residentes, trabalhadores imigrantes e a grande carga turística, fatores que poderão colocar em causa o novo projeto.

Ao mesmo tempo, qualquer decisão sobre o futuro do HNM tem de considerar o impacto nos profissionais: enfermeiros e restantes trabalhadores da saúde que ali exercem funções. É essencial garantir planeamento de recursos humanos, estabilidade de vínculos, e carreiras que valorizem o trabalho altamente diferenciado que é prestado na Região.

O SINDEPOR defende por isso que qualquer decisão sobre o futuro do HNM decorra de um processo transparente, com estudos técnicos independentes sobre necessidades em camas, recursos humanos e rede de cuidados.

Que profissionais de saúde, sindicatos, ordens profissionais, associações de utentes e autarquias sejam formalmente ouvidos antes de qualquer decisão definitiva. Que o apoio às populações mais frágeis seja garantido com respostas integradas entre Saúde e Segurança Social. Que seja garantido um plano de transição justo e digno para todos os trabalhadores afetados, com particular atenção aos enfermeiros.

O SINDEPOR manifesta total disponibilidade para participar em futuros grupos de trabalho, audições ou reuniões técnicas sobre esta matéria, contribuindo com a experiência de quem conhece, por dentro, o impacto das decisões estruturais na vida dos serviços e na qualidade dos cuidados.

Terminamos sublinhando que não se trata apenas do destino de um edifício, mas de uma escolha sobre que modelo de Serviço Regional de Saúde queremos para as próximas décadas: centrado no interesse público, na proximidade às pessoas e na valorização dos profissionais,

Sabemos dos constrangimentos económicos, mas não podemos esquecer todo o investimento em infraestruturas que foi efetuado no decorrer dos últimos anos no HNM que poderia desta forma ser reaproveitado. Que seja sempre tomada a melhor decisão em prol dos madeirenses.

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