O “pacote patronal” do Governo – não há como contornar – constitui um dos maiores ataques aos direitos dos trabalhadores a que já assistimos.
Nem vamos falar de questões tão graves como a facilitação dos despedimentos, a generalização da precariedade, a desregulação de horários, trabalho à borla ou a limitação do direito à greve.
Tendo em conta que somos uma profissão maioritariamente feminina salientamos que o Governo pretende diminuir o período em que as trabalhadoras beneficiam de redução de horário para amamentação.
Além de uma medida infame, repare-se na “inteligência” da mesma: Portugal já enfrenta, hoje, um grave problema de inverno demográfico. Então este Governo achou que era boa ideia reduzir os incentivos à natalidade!
E todos sabemos que uma população mais envelhecida precisa de mais cuidados de saúde… isto, a par dos atuais 14 mil enfermeiros em falta só no SNS, de acordo com os números avançados pela nossa Ordem.
Neste quadro, o SINDEPOR não pode deixar de estar de acordo com os motivos da greve geral do próximo 3 de junho, sublinhando que as enfermeiras e enfermeiros têm todo o direito a paralisar nesse dia!
O SINDEPOR não adere formalmente a esta greve geral porque, ao mesmo tempo que o Governo quer aprovar o pacote patronal, tenta também impor um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) para a nossa profissão tanto ou mais gravoso que o primeiro.
Neste contexto, a nossa prioridade é, para já, concentrar energias na luta contra este ACT que consideramos deveras lesivo para as enfermeiras e enfermeiros portugueses. Porque mudar é preciso.